O Que a Igreja tem a Oferecer ao Mundo?

“Mas Pedro lhe disse: Nem ouro nem prata possuo. O que tenho, porém, isto eu te dou” (Atos dos Apóstolos 3:6)

Não há saída para a religião!

Um texto do filósofo Luiz Felipe Pondé, publicado meses atrás, antes mesmo do recente atentado de Paris, colocava a religião em uma difícil encruzilhada.

Ateu, o autor conclui, em seu texto, que, no Século XXI, a religião estaria fadada a recair em dois extremos: rejeitar totalmente o mundo moderno, recaindo no mais violento fanatismo, ou, então, diluir-se em meio à sociedade de mercado, tornando-se – assim – uma religião sem nenhuma relevância, insípida, incolor e inodora.

O diagnóstico do autor é assustadoramente fiel à realidade dos fatos. Se por um lado, desde a o início da década passada, temos assistido a um acirramento do fundamentalismo religioso, capaz de produzir as maiores barbaridades – o atentado contra a revista em Paris é apenas mais um triste capítulo dessa história – do outro, as pessoas têm vivido uma religiosidade cada vez mais superficial, cada vez mais sujeita às conveniências e circunstâncias.

O mercado da religião – dizia o texto de Pondé – é um mercado como qualquer outro, um local onde o cliente pode optar por aquilo que mais lhe agrada dentre um pacote de “opções” disponíveis.

A igreja evangélica tem caminhado por estes dois extremos.

Sem duvidas, o fundamentalismo está presente na igreja – sim, ele não é nenhum privilégio dos muçulmanos. O fundamentalismo acontece a cada vez que se tenta estabelecer o reino de Deus pela força, pela violência. Acontece, por exemplo, quando vemos alguns na igreja invocando o ódio de Deus sobre grupos tidos por indesejáveis, como homossexuais, mães solteiras, divorciados, pessoas de outras religiões, entre outros.

O fundamentalismo não é apenas aquele que apedreja literalmente, mas há o apedrejamento moral, que ofende e machuca as pessoas, cometendo as maiores atrocidades sob o engano de se estar fazendo “a vontade de Deus”.

Ao mesmo tempo, o centro do culto na “igreja” tem se tornado os meus problemas, as minhas necessidades. Afinal, é pra isso que Deus serve, para que eu possa superar as dificuldades da minha vida. Isso pode parecer bom, mas não tem nada a ver com o Evangelho. É, no mínimo, uma adaptação para tornar o evangelho mais palatável aos ouvidos das pessoas, para torná-lo mais “vendável”. O suposto “evangelho” assim vivido e pregado tem pouco a acrescentar ao mundo, pois suas lições não são melhores do que o que encontramos em qualquer bom livro de autoajuda, porém, sob uma roupagem “cristã”.

Mas será que existiria alguma saída para o cristianismo nesta encruzilhada entre o fanatismo e a completa irrelevância?

Ao contrário do Luiz Felipe Pondé, cremos que existe um caminho estreito, uma pequena porta, pela qual poucos passam. Uma forma de viver uma espiritualidade que não seja nem fanática, nem se torne irrelevante. Para isso, devemos, primeiramente, olhar para o Autor e Consumador da nossa fé: Jesus Cristo.

Em sua vida na Terra, Jesus foi autêntico até o ponto de isso ter lhe custado a vida. Podemos dizer, portanto, que, em seu amor sem limites, em sua entrega a uma missão, Jesus foi um completo radical.

Mas Jesus não foi um radical pregador de leis e costumes religiosos. Ele não era um beato que vivia a ensinar que as pessoas deveriam voltar a um padrão antigo de comportamento. O assunto de Jesus não era esse. O interesse Dele estava nas pessoas. Jesus foi radical ao ser inclusivo. “Todo aquele que clamar será salvo” é uma declaração que não exclui a ninguém.

Jesus também foi enfático em sua missão de tornar o homem livre de toda e qualquer opressão e em sua condenação contra todo e qualquer apedrejamento, seja ele literal ou moral.

A religião de Jesus é um caminho pelo qual o homem pode crescer em uma vida de consciência limpa, servindo a Deus e ao próximo em liberdade, e não por medo ou em busca de algo em troca.

A religião de Jesus é o caminho pelo qual se vive não mais sob a caducidade da letra, do dogma, mas na dinâmica do Espírito.

O Evangelho é vivo. O Evangelho é movimento. Qualquer tentativa de emparedar, de domesticar o Evangelho resulta, no máximo, em uma imitação barata, em uma religião previsível e medíocre.

Sob essa perspectiva, o Evangelho implica, sim, decisões radicais, mas esse radicalismo não tem nada a ver com uma religião fanática, mas com aquela força que vem de dentro e que nos enche de coragem – de vontade de fazer o bem ao nosso próximo além do esperado, de levar esperança àqueles que estão aflitos e oprimidos, de fazer a Terra se tornar mais parecida com o Reino de Deus.

Quando vivemos o Evangelho desse modo, estamos indo na contramão do mundo, trazendo à vida um significado que poucos enxergam. Verdadeiramente, para um verdadeiro discípulo de Jesus, a vida é mais do que o comer o vestir ou o entretenimento.

Jesus é tudo que temos a oferecer ao mundo, mas somente o teremos se andarmos com Ele e enxergarmos o mundo a partir dos Seus olhos.

O desafio está lançado: o que você tem a oferecer ao mundo?

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Sobre Comunidade Moriah

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