ÁGUAS PASSADAS

“Seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi [Mestre], quem pecou, este homem ou os seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus”. (João 9:1)

O Evangelho se inicia com uma afirmação que contém, em si, tudo o que é necessário saber sobre o conteúdo da sua mensagem: o Verbo (a Palavra) se fez carne.

Essa afirmação se reflete na forma como o Evangelho é “contado”, na forma como ele se desenrola. Ele não está baseado em filosofia, ideologia ou doutrina, mas no milagre da Palavra de Deus que se tornou alguém: Jesus, e também nos encontros deste alguém com as pessoas deste nosso planetinha.

Isso é o que torna o Evangelho tão fascinante e ainda relevante – talvez, mais hoje do que nunca. Em seus “encontros”, Jesus se deparava com as mesmas inquietações, anseios, que ainda vemos por aí hoje.

E, dentre as maiores perplexidades do coração humano com as quais Jesus se defrontou em seus passos na Terra, estão alguns “por quês” de gente como você e eu: Qual é a causa do sofrimento de uns e da alegria de outros? Por que pessoas boas, às vezes, têm vidas tão atribuladas, ao passo que outras, piores, parecem ter vidas de bonança? Por que alguns sofrem já desde o seu nascimento? O que acontecerá conosco depois que morrermos? Há um julgamento que faça tudo isso fazer sentido?

Estes, sem dúvida, são alguns dos grandes mistérios da vida. E, sobre eles, se constroem os castelos das religiões. Não é difícil perceber que todas as religiões surgiram de especulações como estas.

Por trás de todas as religiões está o velho desejo humano de submeter tudo à razão. De encontrar uma causa e uma consequência para todas as coisas. De ter – afinal – o controle total, pois, se acredito que o que faço aqui irá definir o bem ou o mal que virá a mim e à minha descendência – no fim – tenho o controle de decidir.

É aí que percebemos que, contra todas as expectativas, o Evangelho NÃO é uma religião.

Enquanto o Evangelho é Deus (“a Palavra”) encontrando o homem, a religião faz o caminho inverso: é o homem tentando especular e encontrar respostas sobre coisas além de seu alcance, que estão nos céus.

Volte ao diálogo que está no topo desta página.

Tente notar como a resposta de Jesus soa inesperada. Percebemos que: 1) Ele não se preocupou em dar uma explicação racional, de causa e efeito, para o sofrimento daquele homem cego; 2) Ele não especulou sobre o “além”, nem ficou ensinando dogmas ou doutrinas.

Enquanto os olhos da religião buscam procurar a causa (ou o culpado?) do mal, Jesus vê naquele homem apenas uma vida, um vaso como qualquer outro, que foi feito para que a glória de Deus habitasse.

Talvez, se perguntassem a Jesus o porquê de você e eu sermos o que somos, a resposta Dele teria sido exatamente a mesma: para que, em nós – que somos imperfeitos – se manifestem as obras de Deus.

As pessoas travam discussões enormes sobre doutrina. Discutem se haveria ou não reencarnação, ou “vidas passadas”. Se vamos para o céu, para o purgatório, para a lua…

Nada disso fazia sentido na perspectiva em que Jesus via as coisas. Mais ainda, não fazia sentido enxergar um homem como prisioneiro de seu “carma”, de seu passado.

Enquanto os olhos da religião tentavam explicar o nascimento de um homem pela perspectiva de “causa e efeito” – alguém já “marcado” pelo signo de culpa e julgamento – Jesus enxergava a vinda dele ao mundo já sob o “carma” do amor e do perdão de Deus.

Havia, ali, apenas um homem que foi cego, até perceber que nascera para a liberdade do amor de Deus (todos nós somos cegos até perceber isso). Jesus sequer especulou sobre a vida passada daquele homem, mas apenas “focou” na oportunidade – e na vida nova, futura, que dela nascia.

Não precisamos mais andar escravos do passado – desta e de “outras” vidas. Há um infinito de oportunidade do amor de Deus para quem quer que queira vir até ele.

É o que as águas do batismo dizem: tudo se fez novo.

E, o resto… são só águas passadas.

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Sobre Comunidade Moriah

Seja bem vindo! Você acessou a página da Comunidade Moriah, uma Comunidade Cristã dedicada a viver e propagar a mensagem do Evangelho sem barganhas, em um espírito de humildade, sinceridade, moderação e amor. Aqui você poderá ficar por dentro de nossas atividades e conferir algumas das mensagens que têm sido ministradas entre nós. Esperamos que elas possam abençoar a sua vida tanto quanto nos têm abençoado!
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