Em família

“Por essa razão, dobro os joelhos diante do Pai – de quem toma o nome toda família, no Céu e na Terra – para pedir que Ele conceda a vocês segundo a riqueza de sua glória, que vocês sejam fortalecidos em poder pelo Espírito no homem interior, e que sejam arraigados e fundados no amor…
Assim vocês terão condições de compreender, com todos os santos, qual é a largura, comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o conhecimento”
(Carta de S. Paulo aos Efésios, Cap. 3, Versículo 14)

A história humana, narrada nas páginas na Bíblia, é, também, uma história de várias famílias.
De Adão e Eva – que de um se tornaram dois: a primeira família – a Noé, cuja família foi escolhida por Deus para repovoar toda a Terra após o dilúvio.


De Sara e Abraão – em quem seriam “benditas todas as famílias da Terra”, a Isaque e Rebeca em cujo ventre ‘dois povos lutavam entre si” – e estes eram Esaú e Jacó. 


Jacó – o fugitivo – de quem nasceram doze irmãos, doze patriarcas de uma nação: Israel.


De uma família dividida pela tragédia da escravidão, nasceria um libertador: Moisés, e seus irmãos, Miriam e Araão. 


De outra família, destruída pela guerra, o milagre da fidelidade de uma mulher a alguém que não era de seu sangue, nem de sua pátria: De Rute, a estrangeira, viria Jesse, e de sua família, o herói Davi – nos ensinando, pela primeira vez na história, que nem só de carne, sangue e “genética” se faz uma família, mas sim de uma decisão firme de amar.


Davi foi o “homem segundo o coração de Deus”. Homem que ergueria uma Casa de Oração, e de quem nasceria a Estrela prometida: o Messias, chamado “o filho de Davi”.


O Messias – o Verbo feito carne – poderia ter descido do céu em sua glória, mas Deus decidiu que seu Filho deveria, também, nascer em uma família humana. E Ele foi por seus pais apresentado no Templo, onde eles o levavam para celebrar as festas. Brincou com seus irmãos, irmãs e primos. 


Como todo filho, fez seus pais morrerem de preocupação às vezes, embora Ele lhes fosse obediente.


Por toda a Bíblia, portanto, a família ocupa um papel central na mensagem de Deus.


Ao mesmo tempo, porém, a forma com que a Bíblia aborda a família não é “idealizada” – pelo contrário, o realismo da Bíblia, por vezes, chega a chocar o leitor.


Se a família é o lugar onde se deveria encontrar amor e aconchego, ela também é o lugar em que as arestas do coração se manifestam. Favoritismo por parte dos pais, rivalidade e mesmo discórdia entre irmãos. Inveja, decepções, frustrações, revoltas e traumas, traições e rupturas, não raro, fazem parte do histórico familiar da maioria de nós. 


E a Bíblia jamais esconde essa condição. De fato, as famílias descritas pela Bíblia são, muitas vezes, disfuncionais.
Caim, por inveja, matou o irmão Abel. 


Abraão se viu às voltas com uma disputa entre sua esposa, Sara, e uma “barriga de aluguel”, Hagar. Jacó viveu sempre em meio as trapaças de seu sogro, Labão, e às disputas entre suas duas mulheres, Raquel e Lia. 


José foi vendido como escravo por seus irmãos.


Davi conviveu com a dor de ver seu filho, Absalão, tentar usurpar o seu trono, e com a dor ainda pior de vê-lo morrer em combate.
O próprio Jesus teve suas tensões familiares, pois a sua própria família não lhe reconheceu como Messias, e, alguns, incrédulos, chegaram a zombar de seu ministério e toma-lo por alguém sem juízo. 


Se a sua família tem problemas, então, bem-vindo ao time. Você, certamente, não está sozinho.


Porém, apesar de todos os problemas, Deus, ainda assim, continuou a escolher a família. E o motivo maior é porque ela nos desafia a alcançar um amor mais alto, um amor incondicional. 


Enquanto, no mundo, as pessoas estão cada vez mais “ensimesmadas”, afundadas em um individualismo sem limites, a doce voz do Espírito de Deus continua a soprar uma mensagem, como no Princípio: “Não é bom que o homem esteja só”.


Amor, perdão, respeito às diferenças e superação dos traumas provocados – de propósito ou sem querer – por quem não esperávamos que nos ferisse é a lição que deveríamos aprender em nossa família. 


Porém, algumas pessoas acabam falhando tristemente nessa missão. E a falha em superar os problemas familiares é um grande passo para o fracasso não só espiritual, mas também, em todas as demais áreas da nossa vida. 


“Honrarás teu pai, para que se prolonguem seus dias na Terra” – é o que diz o mandamento, sem nenhuma ressalva.


Mas qual seria, então, a chave para uma relação familiar bem sucedida e feliz?


A receita – não só na família, mas em toda a relação entre seres humanos – é a regra mágica do amor: fazer ao outro aquilo que esperamos que nos façam.


O problema dos relacionamentos somente piora quando às pessoas somente focam em seus pretensos “direitos” em uma relação. É comum maridos quererem esposas “submissas” e “obedientes”, esquecendo-se de sua parte na relação: amar e se entregar, “como Cristo amou sua Igreja e se entregou por ela”. 


É, também, comum ver pais reclamando de filhos desobedientes e rebeldes, quando eles mesmos, pais, por vezes esquecem de seu dever na relação, que é reprender sem provocar os filhos à ira. 


Da mesma forma, há mulheres que são levadas por um discurso “feminista” moderninho, e que acabam entrando em uma grande disputa por espaço com seus maridos, recusando-se a fazer qualquer gesto de cuidado, para não recair no estigma da “Amélia”.


Se todos se esforçassem para se colocar no lugar do outro, a relação se tornaria muito mais leve e feliz, e experimentaríamos o poder curativo do amor em nossas famílias e relacionamentos.


Volte à oração de São Paulo, no início dessa mensagem, e reflita como somente o amor faz o milagre de tornar compreensível aquilo que não é. De medir aquilo que não pode ser medido: o próprio Deus, pois Deus é amor.


E como Ele próprio é uma Unidade (pois Pai, Filho e Espírito Santo são um), assim nós também devemos ser.


É a oração do Apóstolo. Que ela também possa ser a sua oração. 


Amém.

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Sobre Comunidade Moriah

Seja bem vindo! Você acessou a página da Comunidade Moriah, uma Comunidade Cristã dedicada a viver e propagar a mensagem do Evangelho sem barganhas, em um espírito de humildade, sinceridade, moderação e amor. Aqui você poderá ficar por dentro de nossas atividades e conferir algumas das mensagens que têm sido ministradas entre nós. Esperamos que elas possam abençoar a sua vida tanto quanto nos têm abençoado!
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